Início do cabeçalho do portal da UFERSA

Campus de Caraúbas

Simpósio reuniu pesquisadores e leitores da obra de Clarice Lispector

Sem categoria 18 de dezembro de 2017. Visualizações: 754. Última modificação: 18/12/2017 07:37:30

O SIM, CLARICE! foi promovido pelo Grupo de Estudos Sobre o Romance durante os dias 12 e 13 de dezembro de 2017. No programa, duas mesas redondas, uma conferência, um debate acerca do filme A hora da estrela (Suzana Amaral, 1985) – exibido em duas sessões – e um recital em que os participantes do evento se revezaram na leitura de fragmentos da obra de Clarice Lispector.

O evento integrou a agenda nacional proposta pelo Instituto Moreira Salles do projeto “Hora de Clarice”; criado em 2011 para assinalar o 10 de dezembro (a escritora nasceu neste dia em 1920), como uma data celebrativa no calendário cultural brasileiro, o programa neste ano ganhou dimensão mesmo fora do Brasil. Enquanto na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Caraúbas, os participantes se reuniam em torno da obra de Clarice Lispector, desde o início do mês de dezembro aconteciam atividades noutras diversas partes do mundo; em Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha, Holanda, para citar alguns dos países.

“Este momento de comunhão com leitores e admiradoras da obra de Clarice Lispector é indescritível, sobretudo, se lembrarmos as condições de deficiências de leitura num país como o Brasil, onde o projeto de reverter esse quadro tem sido, reiteradas vezes, adiado pela falta de interesse dos governos para com a literatura”, sublinha o professor Pedro Fernandes, proponente do simpósio.

Na “Carta de abertura”, lida nos primeiros minutos de início da programação do simpósio (o texto está agora disponível no site do evento), Pedro Fernandes destaca o enigma Clarice, admirado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade como a que “veio de um mistério” e “partiu para outro”, e ressalta a força paradoxal da escritora que não raras vezes foi acusada de não envolver sua obra com as questões políticas e sociais do seu tempo. No texto, o professor lê essa constatação como perigosa quando destaca que Clarice, reiteradas vezes, se posicionou sobre a truculência do Estado em suas mais diferentes formas – da negativa de apoio financeiro às universidades à matança prepotente na periferia.

A proposta do SIM, CLARICE! acrescenta o texto, “ao mesmo tempo que sublinha a grandiosidade da obra de Clarice Lispector para a literatura quer aproximá-la de novos leitores, sobretudo aqueles sem os pretenciosismos da academia”. Em 2017, duas datas se destacavam em torno da escritora: um dia antes à data de celebração de seu aniversário, fez quatro décadas da morte de Clarice e em outubro iguais décadas da publicação de seu último trabalho, A hora da estrela.

Com auditório lotado nos dois dias, o simpósio congregou participantes de três instituições de ensino do Rio Grande do Norte: a Universidade Federal Rural do Semi-Árido, sede do simpósio, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. “No primeiro dia as falas dos professores Cícera Antoniele, Leonildo Cerqueira e Pedro Fernandes versaram sobre a metaficção em A hora da estrela, a subversão do mito em A aprendizagem ou o livro dos prazeres e a escritura em Água viva, respectivamente”, destaca a divulgação no Facebook do Grupo de Estudos Sobre o Romance. “Foi maravilhoso!”, acrescenta.

“No segundo dia, marcado por participantes externos à UFERSA, a mesa contou com a discussão sobre o trabalho da Clarice Lispector jornalista pela professora Juliana Perez e sobre os aspectos formais e estruturais entre a obra literária A hora da estrela e o filme de Suzana Amaral discutido no início da tarde pela professora Cícera”, relata Pedro Fernandes. O ponto final do evento veio com a conferência do professor Ailton Siqueira que fez uma panorâmica sobre a obra da escritora homenageada e discutiu a partir dela o conceito transitoriedade.

Outra atividade proposta em paralelo com o evento foi a intervenção “Ocupa a UFERSA com Clarice”; “Clarice Lispector é campeã em falsas citações nas redes sociais. Não só citações, mas também a imagem da escritora é reiteradas vezes confundida com a da atriz Rita Êlmor. Bom, pensando no primeiro problema, pensamos em contribuir para reduzir um pouquinho de nada essa má fama. Então, reproduzimos 16 frases (verdadeiras) de obras diversas da escritora e espalhamos por todos os setores do campus para que os transeuntes fotografem e joguem nas redes sociais usando as tags do evento – #simclarice #horadeclarice” –, destaca Pedro Fernandes. “Além disso, produzimos um encarte com textos sobre a escritora, sobre A hora da estrela, fotografias e manuscritos que agora está disponível no site do evento (www.simclarice.wordpress.com)”, lembra.

“Agora, um evento dessa magnitude não seria possível sem ajuda de muitos. Primeiro, dos participantes que colaboraram por custear em torno de 90% dos custos; depois, a entrega total dos nossos alunos dos cursos de Letras que convidados não mediram esforços em colaborar com a dinâmica do simpósio: Karoline Fernandes, Flaviana Silva, Élida Brito, Bruno Ferreira, Luã Mota e Daniel Guedes, além das alunas do segundo período do curso de Letras / Português. Dos setores da universidade, o de transportes que facilitou a vinda dos professores de outras instituições que cumpriam agenda no evento. E, claro, dos meus colegas de profissão, os professores Leonildo Cerqueira e Cícera Antoniele que aceitaram o desafio de concretizar a ideia” – ressalta Pedro.

O Grupo de Estudos Sobre o Romance trabalha para o estabelecimento de uma agenda favorável às discussões sobre literatura dentro e fora da instituição.